Apego não é amor

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Acabou. Eu não amo mais você. É com um certo alívio que me dou conta que o que sinto quando vejo você ou ouço o seu nome ou quando a nossa música começa a tocar no rádio do carro não é amor, é apego pelo o que você representou, pelo o que vivemos e fomos juntos. E apego, meu bem, pode até enganar por um tempo, mas não é amor.

Eu não te amo mais. O que vivemos foi especial, foi intenso enquanto durou, mas como todo ciclo natural, chegou ao seu fim. Não tem o que lamentar, não tem o que sofrer… nos doamos, cada um ao seu jeito, ao máximo. O problema é que encaramos todo fim como uma espécie de fracasso pessoal e por isso nos agarramos a qualquer fio que sobre tentando fazê-lo permanecer o máximo possível, tentando entender o que muitas vezes não tem uma explicação mirabolante. O amor chegou ao fim, simples assim! Não sei explicar porque isso foi acontecer justo com a gente, mas aconteceu e acontece nas melhores famílias.

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Me dei conta que não te amava mais e que aquela mania de dormir agarrada ao seu travesseiro (porque eu achava que o seu cheiro me acalmava) ou de colocar a nossa música no repeat do iPod era apenas apego durante uma insônia daquelas que sempre me perseguiu desde que você partiu. O relógio da cozinha marcava 2h34 da manhã e enquanto eu esperava a água do chá ferver percebi que não sentia sua falta, que naquele momento não fazia a menor diferença você estar ali ou não. Até pensei em ligar o iPod e sabia exatamente que música começaria a tocar, mas naquele momento ela não me deixaria triste porque eu não estava com vontade de ficar triste remoendo algo que tinha chegado ao fim. E ali eu me dei conta, não era mais amor, era apego.

Voltei pro quarto e deitei aproveitando pela primeira vez todo o espaço da cama, sem me preocupar em estar invadindo o “seu” espaço. Apaguei a luz e, aliviada, dormi como há muito tempo não dormia, sem me preocupar em sofrer antes de dormir. O apego foi embora, e levou com ele você e a minha insônia.

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