É preciso falar sobre a cultura do estupro

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Não, eu não vou tirar o batom vermelho, nem aumentar o comprimento da minha saia. Também não vou esconder o meu decote. Sabe por quê? Porque a cor do meu batom e as roupas que eu uso dizem respeito somente a mim.

A cor do meu batom, a minha roupa, o jeito como eu danço na balada, nada disso, eu disse NADA, dá a você o direito de me tocar sem o meu consentimento. E eu tenho o direito de dizer NÃO para quem eu quiser. E o nosso NÃO não é joguinho, charme, ou o que quer que você pense que é. Não é não. E o meu não merece ser respeitado como qualquer outro. Ele deveria fazer você parar imediatamente.

Mas, no Brasil, uma em cada três mulheres não teve o seu não atendido ou nem teve a chance de dizer não. Uma em cada três mulheres já passou por algum tipo de assédio, embaraço, estupro. Uma em cada três. Abra seu Facebook, seu twitter, olhe ao seu redor, uma em cada três delas vai ter uma história para te contar. E em nenhuma, nenhuma dessas situações a culpa vai ter sido dela. NENHUMA, só pra ficar bem claro!

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“Ah, mas se ela estivesse em casa, não teria acontecido.” – estupros e agressões de todos os tipos acontecem dentro de casa.

“Ah, mas se ela estivesse na igreja, não teria acontecido.” – estupros acontecem dentro de igrejas.

Você já teve medo ao estar sozinho em uma rua à noite e encontrar um homem? Já teve medo de entrar sozinho em um táxi? Pede, todos os dias, para os seus amigos avisarem quando chegarem em casa? Já se sentiu como um pedaço de carne exposto no açougue ou ouviu coisas que te fizeram sentir nojo, coisas que você não pediu para ouvir? Já te disseram para tirar o batom ou trocar de roupa antes de sair de casa? Não? Então não venha dizer que não precisamos de feminismo e que todo esse papo é vitimismo feminino. Pergunte pra sua mãe, sua irmã, suas primas, suas amigas, se elas acham que é vitimismo. Talvez você se surpreenda com as histórias que elas também tenham para contar.

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Vivemos em uma sociedade em que estupro é crime hediondo apenas no papel. Uma sociedade que busca culpar sempre a vítima, onde piadas com estupro são aceitas em programas de televisão. Até quando vamos aceitar isso? Até quando essa violência sem tamanho vai ser ignorada? É preciso lutar pelo fim da cultura do estupro e isso começa com cada um de nós. Nessa luta, o gesto de cada um faz a diferença.

Eu luto pelo fim da cultura do estupro. E você?

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