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Eu me perco e me acho em você

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Olho para você na expectativa de me reconhecer, de encontrar algum sinal de quem é essa pessoa na qual eu me tornei, de como vim parar nesse lugar, nesse momento, mas não encontro nada. Não encontro você, a menina doce por quem me apaixonei perdidamente e em quem eu me perdi. Consequentemente não me acho também.

Tento voltar ao início de tudo, mas tal como em uma dança, você me puxa, me suga, me conduz e eu me perco mais uma vez nesse labirinto que o amor construiu ao nosso redor. Você sorri quando colidimos, nossos corpos em busca de ar tentando escapar do cerco que se aperta cada vez mais, e ali, no seu sorriso, eu finalmente me acho.

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A bailarina

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A suave melodia foi o que primeiro me atraiu até a janela dos fundos do pequeno estúdio, mas então, logo meus olhos estavam presos na belíssima imagem que se desenrolava lá dentro. A menina alta, esguia e sensual era linda, mas não foi isso que quase me fez perder o fôlego e sim a forma quase etérea com que ela rodopiava de um lado ao outro da sala. A bailarina dançava e isso era a única coisa que importava. Não havia contas para pagar, amores mal-resolvidos, dúvidas existenciais, nada, havia apenas a bailarina e sua dança.

E na dança ela estava inteira, sem máscaras, sem subterfúgios e em cada movimento ela se desnudava mais diante dos meus olhos. Em cinco minutos observando a bailarina eu sentia que a conhecia mais do que conhecera qualquer mulher com quem me relacionara em e por anos. Ela não tinha medo de ser ela mesma, de mostrar seus medos, suas angústias, seus sonhos, suas imperfeições. Afinal, a bailarina sabe que a beleza está nas imperfeições.

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Havia algo de melancólico na música e nos movimentos ora bruscos ora lentos, na forma aparentemente sem controle com que seu corpo se movia para cá e para lá. Olhando de fora, parecia que a bela bailarina fazia amor com a melodia que soava de um velho toca-discos no chão da sala, perto da porta. E do encontro do seu corpo com as notas musicais surgia o movimento hipnotizante e eu, como um voyeur, mal respirava.

Aliás, a sensação é de que seguia sem respirar enquanto voltava a caminhar, descendo a rua lentamente rumo a mais um dia de trabalho, me perguntando como seria se eu pudesse entrar na sua vida, se eu pudesse tomá-la em meus braços e rodopiar com ela pela sala. Ela me permitiria entrar? Se mostraria inteira, como havia se mostrado sem saber? Ou foi tudo uma miragem e só a melodia suave pode realmente conhecê-la por inteiro?

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