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Efemeridade

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Ali, com aquele desconhecido ela se sentia, pela primeira vez em sua vida, conectada com algo. Alguém que a entendia, alguém que se fazia os mesmos questionamentos, alguém que, como ela, queria viver intensamente, mas era racional demais para isso.
Isso faz algum sentido? Não, aparentemente não, mas a vida como um todo, faz? Ali, com aquele estranho a encarando com olhos atentos, parecendo enxergar sua alma, ela se permitiu se mostrar realmente. Mostrar a verdadeira mulher por trás da pele clara, dos olhos sempre atentos ao redor, do cabelo levemente bagunçado. Aquela que ela escondia dentro de si e que poucos tinham o privilégio de realmente conhecer.
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Sem entender porque, não temia ser julgada por ele. Ela sentia um impulso que a compelia a falar cada vez mais. Sobre o que? Sobre a vida, os amores, as perdas, as ilusões perdidas, os medos… ah, e como sentia medo, embora pouco os confessasse.
Depois de um café, e de horas, que passaram como minutos, de uma conversa cheia de confissões e de auto-descobertas, se despediram, seguindo cada um para um lado da cidade, sem trocarem telefone, nada. A cidade caótica e a chuva que caía do lado de fora apenas conspirou para que dois estranhos compartilhassem um momento único em um dos muitos cafés existentes na Consolação. Momento que, com certeza, ficaria guardado para sempre na memória de ambos.

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Carta para te dizer que me encontrei em você

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Sabe moço, quando eu menos esperava você veio e tornou meu 2015 cinzento em um dia de sol em Copacabana. É que eu já estava na contagem regressiva por 2016, naquela falsa esperança de que quando o último segundo de 2015 se transformasse no primeiro de 2016 tudo se tornaria diferente. Quem poderia imaginar que um esbarrão bem ali, na saída do metrô em plena correria da Avenida Paulista pudesse se transformar em algo mais?

Mas você sorriu, menino, e eu me vi perdida nas covinhas que se formaram no seu rosto. Nem reparei nos dentes alinhados, tão perfeitos. Você me convidou para um café em uma padaria ali perto e eu me perdi na conversa que fluía como se fôssemos amigos de infância. Sem máscaras, sem jogos, sem falsos pudores. Estávamos tão confortáveis na presença um do outro que nem percebemos quando foi que o café virou almoço, lanche da tarde e jantar. Te contei coisas que as “regras” do primeiro encontro nunca permitiram contar e ouvi outras tantas que me fizeram ver o menino por trás das covinhas.

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Não houve indecisão, temores, apenas a vontade e eu me perdi em seus beijos, suas carícias, seu corpo que parecia um encaixe perfeito do meu. E ali, amor, em seus braços, encontrei o que estivera faltando e, de quebra, me encontrei.

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O quanto eu gostei de você

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Não me entenda mal, é que eu não funciono bem sob pressão e se a pressão for de manhã então, aí é que ferrou tudo. Não vou negar que senti um certo medo quando você bateu à minha porta tarde da noite pedindo abrigo. Mas acabei me surpreendendo com a facilidade com que consegui adormecer abraçada a você, mesmo com seu ronco em meu ouvido.

Tinha planejado te acordar com um belo boquete como café da manhã, mas o relógio indicando meu atraso e o meu lado metódico não deixaram.

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Senti um certo alívio quando você não quis comer nada e eu quase te disse que tinha adorado a trilha sonora da noite e do banho, enquanto esperávamos seu táxi chegar. Mas o momento acabou passando.

Enquanto eu acompanhava de longe o seu táxi pelo retrovisor, antes dele se perder no trânsito caótico da cidade, me lembrei que esqueci de te dizer o quanto eu gostei de você.

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