Arquivo da tag: primeiro beijo

O beijo

beijo_quente[1]

– Sério mesmo que você queria me beijar desde a copa do mundo?

– Hum Hum

– Mas a copa foi há quase dois anos.

– Você estava mesmo preparada para eu te beijar naquela época?

-Não, mas…

-Então, não ia correr o risco de estragar tudo. Não com você.

-Desculpa ser tão complicada.

-E quem não é?

-Sei lá, a fulaninha lá não parece.

-Você e essa mania de se comparar com os outros. Os outros não me interessam, estamos falando de você.

-Você parece minha mãe que me dizia que eu não era todo mundo, quando eu era criança.

-Sabe qual é o seu problema?

-Hum?

-Você pensa demais. Deixa eles pra lá. Segue em frente garota. Foi por isso que eu esperei dois anos, pra dar tempo de você seguir em frente, virar a página, se permitir renascer das cinzas, mas você parece querer continuar presa ao passado, parece ter medo de começar a viver de novo. Só você pode recomeçar sua vida. Olha só a lista interminável de desculpas que você usou para adiar nosso encontro, alguém realmente tem alguma coisa a ver com a gente além de nós dois? Pare de pensar e se jogue. Vive o presente. Se permite experimentar a vida e voltar a gostar dela. Viver pode ser viciante, sabia? E eu também!

– Uau. Desculpa, eu não sabia que…

– Não precisa pedir desculpas. Eu só não aguento mais ver você sofrendo por algo que não faz mais o menor sentido.

-Ei.

-Que foi?

-E então, toda a espera valeu a pena?

-Sabe que eu não sei. Acho que preciso de mais um beijo pra ter certeza.

-Desde que não demore outros dois anos.

Deixe um comentário

Arquivado em Diálogos

O inesperado que traz cor

primeiro-beijo-e-mais-marcante-do-que-perda-da-virgindade-diz-pesquisa-7227d7b738310aef6d4e69c81d9a30ef

Uma briga com a vó, uma tentativa de assalto, uma nota ruim e aquela chuva torrencial, fazendo a Praia Vermelha alagar, nos mantendo na faculdade por, pelo menos algumas horas a mais. O que mais poderia me acontecer? E então você chegou, fazendo graça da situação e aproveitando a falta de luz pra me beijar bem ali, no meio da escada. E diferente dos outros “primeiros beijos” o seu não foi apreensivo. Não havia qualquer sinal de dúvida. Você sabia, e muito bem, o que estava fazendo. Eu podia sentir os olhos e ouvir as piadinhas da turma inteira sobre a gente, mas passado o susto inicial, nada mais me importava.

Você me perguntou se eu queria sair dali. Mas e a chuva? Isso realmente importa? Com cuidado e parando a cada 100 metros para mais beijos finalmente alcançamos o shopping mais próximo. Você sugeriu um cinema, mesmo encharcados como estávamos. Vamos acabar doentes. Você pensa demais, garota.

Beijo sob a chuva, cinema, pipoca e refrigerante divididos. Um começo clichê para o casal tachado de menos clichê da turma. O inesperado trazendo cor a um dia até ali perdido. A primeira letra de uma história rascunhada a dois.

Deixe um comentário

Arquivado em Crônicas e Contos