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Tarde demais

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Outro dia você me pediu pra falar com você e juro, senti uma vontade imensa de chorar. Ali mesmo na sua frente. É tão triste perceber que simplesmente não sei o que conversar com você. Dois estranhos convivendo na mesma casa. Fiquei pensando sobre uma época em que as coisas eram mais fáceis entre a gente. Quando não havia esse clima tenso sempre no ar. É sério, ele nem sempre esteve aí. Você consegue se lembrar? Se bem que às vezes me pergunto se você chega a perceber que as coisas não vão bem nesse momento ou se pra você continua tudo como sempre foi. Sinceramente não sei. Você vive em um mundo tão seu que eu realmente não sei. Vai ver que a incomodada sou eu. Por isso quero tanto ir embora. Não é isso que dizem, os incomodados que se retirem?

Quando foi que você passou a ter ciúmes de mim? Quando foi que você passou de herói a alguém em quem só consigo enxergar os defeitos? Quando foi que o diálogo cessou?

Não sei, de verdade não sei e não sei como voltar ao que era antes. Não sei se o caminho que tomamos tem volta. Acho que já estou longe demais da bifurcação da estrada e agora não consigo voltar mais. Mas se me fosse dada a oportunidade eu voltaria, eu tentaria te puxar quando você começasse a se afastar. Eu tentaria te incluir mais na minha vida. Eu tentaria te conhecer melhor. Pena que aparentemente é tarde demais.

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Carta pra dizer, tarde demais, o quanto te amei

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Eu falhei. Falhei tão feio com você, meu amor. E agora, o que mais dói é me dar conta do quanto eu te decepcionei e o pior, não há nada mais que eu possa fazer para mudar isso. É tarde demais.

Ah se eu pudesse fazer o tempo voltar atrás… eu te diria todos os dias o quanto eu te amava. Eu diria o quanto você era a vida da nossa casa, o norte que orientava a minha bússola interna. Eu teria segurado sua mão no final e garantido que ficaria tudo bem. Não sei bem se seria uma frase de consolo mais pra mim ou pra você, mas eu teria feito mesmo assim. Eu teria beijado sua boca uma última vez para tentar manter o seu gosto em meus lábios por mais tempo e teria, por fim, repetido exaustivamente o quanto eu te amava.

Mas eu falhei. Eu cheguei tarde demais e agora não me resta nada além do seu corpo inerte, já sem vida à minha frente. E uma dor que nunca senti igual. Deve ser o peso da culpa em meu coração, eu sei.

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Lembro do dia em que recebemos a notícia da sua doença. Dessa doença maldita que foi te levando de mim um pouco a cada dia. Você foi tão corajosa e eu não soube enxergar que, no fundo, aquilo não passava de uma máscara que você estava usando para não me preocupar, para que eu não visse o seu medo. Você não queria que eu parasse a minha vida para eu ter como continuar depois e eu fui tão insensível, deixei meu próprio pavor de te perder ir me afastando de você antes da hora, ir te tornando invisível para mim. Logo você que sempre brilhou para mim como um farol em alto-mar. Ao fugir do seu sofrimento te fiz sofrer em dobro e sofro mil vezes mais agora, como castigo.

Eu só queria uma chance para fazer tudo diferente e acredite, eu faria. Eu faria tudo para aliviar a sua dor. Eu faria tudo para que cada um dos seus dias fosse especial, fosse marcante, para que se fosse o último, ele tivesse valido a pena e eu pudesse ter visto o seu sorriso uma última vez. Mas eu ainda não tenho esse poder e, por isso, vou me culpar pelo resto do tempo que me resta.

Eu só queria ter despertado a tempo de te dizer o quanto eu te amava, do jeitinho que você merecia ter sido amada. Pena que agora é tarde demais.

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